As Explosões dos Pagers do Hezbollah
O Incidente
Em 17 de setembro, durante o período da tarde, centenas de pagers usados por militantes do Hezbollah explodiram no Líbano e na Síria. Pelo menos nove pessoas morreram e mais de 3.000 ficaram feridas no Líbano. De acordo com a Saberin News, sete pessoas foram mortas na Síria. Os ataques foram atribuídos a Israel, mas o país não fez comentários. As explosões ocorreram em meio a tensões crescentes entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã. Os dois lados têm tido escaramuças frequentes ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano desde o ataque do Hamas em 7 de outubro, que desencadeou o conflito em Gaza.
Falha Técnica ou Sabotagem?
A onda de explosões começou por volta das 15h45 (horário local) e durou cerca de uma hora. De acordo com autoridades não identificadas do Hezbollah, os pagers aqueceram e explodiram devido a baterias de lítio. Outras fontes afirmaram que os novos pagers eram o modelo mais recente e estavam em circulação nos últimos meses. Acredita-se que as explosões tenham sido resultado de uma operação de segurança direcionada aos dispositivos. A empresa taiwanesa Gold Apollo divulgou um comunicado confirmando sua marca nos pagers AR-924, mas negou a produção. Os dispositivos foram produzidos e vendidos por uma empresa chamada BAC. O Ministério da Saúde do Líbano pediu que as pessoas se afastassem de seus pagers pessoais e evitassem dispositivos sem fio.
Reações Globais e Potencial Escalada
Após o ataque, o Hezbollah divulgou um comunicado responsabilizando Israel integralmente pelos ataques. O grupo anunciou a morte de 12 membros, incluindo alguns mortos em ataques aéreos israelenses separados no sul do Líbano. O embaixador do Irã no Líbano ficou ferido devido a uma das explosões. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanan, condenou o ataque, acusando Israel de assassinato em massa.
Em resposta à escalada, várias companhias aéreas cancelaram voos para Tel Aviv. A companhia de bandeira alemã Lufthansa anunciou a suspensão de todos os voos para Israel e Irã em e até 19 de setembro. A Lufthansa já havia estendido uma suspensão existente de voos para Beirute até 15 de outubro. Durante este período, o espaço aéreo israelense e iraniano não será utilizado por voos do Grupo Lufthansa. O grupo Lufthansa inclui SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e Eurowings. A Air France também anunciou o cancelamento de voos para Israel, Líbano e Teerã até 19 de setembro. Mais cancelamentos são altamente prováveis.
As Forças de Defesa de Israel alertaram sobre a possibilidade de uma escalada após as explosões dos pagers. No entanto, não foram anunciadas mudanças de segurança para os civis. No norte de Israel, foguetes e drones do Hezbollah são constantes há meses. A guerra em curso em Gaza e as escaramuças na fronteira com o Líbano não são os únicos fatores que alimentam a suspeita de que Israel possa estar por trás das explosões. No dia das explosões, o Gabinete de Segurança de Israel emitiu um comunicado designando a interrupção dos ataques do Hezbollah como um de seus principais objetivos de guerra. Os objetivos iniciais de Israel incluíam o fim do Hamas em Gaza e o retorno de todos os reféns capturados por militantes palestinos em outubro do ano passado.
Apesar da especulação generalizada de que Israel estaria por trás do ataque, as autoridades israelenses permanecem em silêncio. As autoridades do Hezbollah prometeram vingança contra Israel, reiterando seu apoio à causa palestina em Gaza. As explosões adicionaram uma nova camada de tensão, complicando ainda mais a situação já volátil na região. Com o Hezbollah culpando Israel pelos ataques e prometendo retaliação, uma guerra em grande escala parece inevitável.